Seguidores

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Contos do Bom Conselho

"Abirosbaldo e sua motocicleta envenenada"

Na minha cidade que é chamada de Cícero Dantas no estado Bahia (o antigo nome era Bom Conselho) tem um cabra chamado Abirosbaldo , ele trabalha numa oficina de chaparia e pintura e tem um defeito de nascença, o rosto torto parecendo que está tendo algum troço.
Certo dia ele e um amigo foram "cumê água" num povoado da cidade chamado Serra Grande que fica há uns 9 km mais ou menos da sede do município.
Na volta estava caindo uma garôa e já era noitinha, eles estavam bêbados e vinham de moto numa ladeira que é famosa nessa região por ter havido vários acidentes.
Como o chão é de cascalho, a moto derrapa com os dois e os mesmos caem e desmaiam.
Uma Picape que vinha atrás pega os dois e joga na caçamba no fundo e "pica a mula" pro Hospital Regional de Cícero Dantas, isso aconteceu num domingo.
Ao chegarem no hospital, ligaram pro médico que supostamente estaria de plantão, mas estava em casa e o mesmo vem às pressas.
Ao entrar no hospital o médico dá de cara com o que ia pilotando a moto, ele já estava melhor, quando o médico entrou num dos quartos, viu aquela cena... Abirosbaldo deitado numa maca com o rosto todo torto e a baba caindo (a baba o médico não sabia, mas era vômito por causa da cana) ligou para um hospital em Aracajú:
_ Rapaz, é urgente, tem um cabra aqui em Cícero Dantas passando mal, ele teve um acidente de moto, o cara tá pra morrer, acho que ele está em coma, o rosto já tá todo troncho e tá com a boca espumando, prepare um cirurgião neurologista, não é pra agora não, é pra ontem, tô mandando uma ambulância praí agora mesmo.
Aí o médico ligou pra um motorista vir de ambulância pegar o tal do Abirosbaldo que já tava nas últimas.
Quando o motorista entrou no hospital junto com um enfermeiro e viu quem estava deitado na maca, disse:
_ Ôxe doutor, esse cabra é Abirosbaldo, ele não tá passando mal não, ele já nasceu assim mesmo, isso aí é cachaça demais que ele tomou.

“A Cabeça Voadora”

No ano de 1998 eu e mais três amigos fomos contratados pela prefeitura da minha cidade para lecionarmos em um distrito da mesma.
O lugarejo dista uns 29 km da sede do município, situado entre os municípios de Cícero Dantas e Euclides da Cunha.
Nesse povoado que se chama “São João da Fortaleza” é comum o povo ainda acreditar em lobisomem, mula-sem-cabeça, etc.
Eu ensinava inglês e geografia para turmas de 5ª a 8ª séries (atuais 6º e 9º anos), Antônio Carlos (conhecido como “Totonho”) ensinava matemática, Valdiney ensinava Português e Cosme, História. Nossas aulas eram nos períodos vespertino e noturno.
Um certo dia de terdezinha, contávamos histórias de terror enquanto jantávamos para depois irmos ao colégio, estava próxima a semana santa e no sertão a semana santa é vista com muito temor e misticismo pelo povo dos lugarejos.
Saímos todos juntos à escola, Cosme era quem ficava com as chaves da casa. Ao chegarmos no colégio, o ônibus da escola ainda não havia chegado e já era 19:00 em ponto.
Eu tinha esquecido umas provas corrigidas lá na nossa casa e pedi as chaves a Cosme para ir buscá-las. A casa era alugada pela prefeitura e se localizava já na saída do lugarejo, quase “nos mato”. Eu ia pelo caminho escuro, já não havia mais os postes de luz do povoado, aí me bateu um medo ao me lembrar as histórias de terror.
Quando eu ia me aproximando da casa, eu olhei para a parede do lado da casa que era branca e vi uma cabeça flutuando sem o resto do corpo e tinha uma luzinha que ficava girando bem na frente do rosto da tal cabeça. Eu parei um tempão e fiquei olhando para aquela imagem aterradora...
Comecei a ficar trêmulo, meu estômago ficou “gelado” e a cabeça começou a se aproximar de mim e eu “lasquei a carreira” no meio “dos mato”.
Enquanto eu corria, ouvia uma voz esquisita atrás de mim, e eu:
_“uai”
_socorro
_“me acuda”
_tem um bicho atrás de mim!!
Quando cheguei de volta à escola contei tudo aos outros professores e aos alunos que já haviam chegado. Aí todo mundo começou a rir. Enquanto todo mundo ria de mim, chegou Valdiney cansado :
“_ Rapais, que carreira é essa? Eu tava esperano você abrir a porta lá na casa quando você parou na estrada e ficou me olhano um tempão, aí eu fui até você pra pegar a chave. Quando eu fui chegando perto de você, você saiu igualzinho a um doido correndo no meio dos mato e gritando por ajuda e eu correndo atrás de você pedindo a chave pra eu entrar pra eu pegar meus livros que eu tinha esquecido e você num parou de jeito nenhum.”
Conclusão, Valdiney tinha ido à nossa casa logo depois que eu saí da escola, só que ele tinha cortado caminho por uma trilha mais curta, e a cabeça flutuando era que ele estava vestido com a farda escolar do professor que era de cor branca, como a cor da parede era branca também a camisa dele ficou invisível e a luzinha flutuando na frente da cabeça dele era o cigarro que ele estava fumando.

Raimundo, e suas perguntas brilhantes!!

Em 1997 um assalto ao banco do Brasil em Cícero Dantas parou e comoveu toda a cidade. Pedro e mais alguns de seus comparsas invadiram a cidade e assaltaram o banco citado e mataram cerca de quatro policiais militares que eram conhecidos por todos.
A morte dos PMs chocou toda a população, pois em cidades pequenas todos se conhecem.
Logo que os bandidos tinham acabado de fugir com o dinheiro e a população começou a sair às ruas para saber melhor o que tinha acontecido muitos ficaram tristes por causa das mortes.
Meu tio, irmão da minha mãe, chamado Pereira estava profundamente triste pelas mortes ocorridas, pois ele conhecia todos os policiais que tinham morrido, e esse meu tio é um pouco estressado, igualzinho ao seu Lunga.
Meu tio reabriu a lanchonete logo depois da fuga dos bandidos e todos os vizinhos foram para a frente dela comentar sobre a tragédia, aí aparece Raimundo querendo puxar conversa com meu tio e pergunta a ele:
_ Rapais, que negóço foi esse??!!
e venha aqui... Os bandidos fugiram de carro foi ?
Meu tio furioso com a pergunta brilhante respondeu a Raimundo:
_ Não, fí do cabrunco, os ladrão desceram aqui a pé numa carrera da peste, cada um com um saco de dinhêro na mão, eles na frente correndo e o resto dos policial também na canela correndo atrás dos bandido e atirano!

Tibúncio, o Matador de Velhinhas!

Tibúncio é um cabra que atulmente tem uns 50 anos de idade, ele trabalha na mesma oficina que Abirosbaldo do primeiro conto.
Há uns 10 anos atrás, Tibúncio tinha ido a um micareta na cidade de Antas-Ba, a uns 25 km de Cícero Dantas. Ele estava numa praça vendo o trio passar, quando toda a multidão saiu da praça acompanhando o trio, só sobraram Tibúncio e uma velhinha que estava sentada num dos bancos da praça, de costas para ele, bem no meio do jardim.
Qual a idéia brilhante que passou pela cabeça daquele homem de 40 anos mais ou menos naquela época? Hein? Hein?
_Vou pular por cima da véia que tá ali sentada naquele banco de jardim...
Tibúncio fez carreira, e foi... foi... foi se aproximando da doce anciã... e quando ele deu o último passo com força para ganhar impulso para o pulo... a velhinha ouviu o estampido do pé dele no chão para o pulo final... a velhinha se levantou assustada sem saber o que era e... tibummmmmmm.
Tibúncio e a Velhinha, os dois, caídos no meio da praça.
Aí a velhinha começou a gritar:
_ Socorro, um tarado, me acuda, polícia!!
E Tibúncio, o que fez? Hein?
Se mandou pra debaixo do trio e ficou lá escondido até a polícia se cansar de procurar por ele.

"Você que é homem, eu sou um cabra safado!!"

Até certo tempo atrás, lá na minha cidade, se alguém perguntasse a qualquer um se era homem, diziam logo:
_ Eu mermo não, eu sou um cabra safado.
Tudo isso por causa dum acontecimento singular.
Lá no povoado do primeiro conto, tinha um véio que "jurava de pé junto" que não existia gay.
_ Ôxe, esse negóço de viado num inseste não.
Um dia uma galera da minha cidade, um grupo de cabra bom levaram um gay antigo da cidade, um dos primeiros a assumir sua homossexualidade, pra ver se o véio da Serra Grande passava a acreditar que gays existem mesmo.
Um certo dia (final de semana) a galera foi cumê água lá na Serra Grande e levaram Sr. Lifo Dias, quando apresentaram Lifo Dias ao véio e o véio estendeu a mão pra cumprimentar o tal do cabra macho, Lifo Dias foi logo agarrando no negóço do véio.
Aí, o véio puxou o facão da bainha e sai Lifo Dias no meio dos mato, numa plantação de milho abrindo caminho no milharal numa carrera da peste e o véio atrás com o facão pra matar o cabra.
A galera toda correu atrás do véio pra impedir que o véio fizesse uma desgraça.
Lá na frente, numa colina a galera encontrou o véio ofegando cansado com as mãos no joelho, aí o pessoal perguntou:
_ Cadê Sr. Lifo Dias?
_ sei lá da peste, num consigui pegá aquele disgraça não, ele iscapuliu. Discubri hoje qui eu num sô homi não. Eu sô é um cabra safado.
Aí agalera fez:
_ Iiiiiiiiiiiiiiiiihhhhhhhhhhh, o véio virou viado depois que Lifo Dias pegou no negóço dele!!
Aí o véio respondeu:
_ Num é nada disso não seus cabrunco, é qui eu crisci cum meu pai dizeno:
_ Homi que é homi fais quarqué coisa.
Aí o véio concluiu:
_ Eu mermo num tenho corage de botá ôto homi em minhas costa não, antonse num sô homi não, sou um cabra safado. O "demônio" do Monte Kalein Certa vez estávamos orando na igreja umas 11:30 da noite, quase meia noite, Lucíolo era metido a profeta e disse que Deus tinha revelado a ele que um demônio morava na serra detrás da igreja, eu era um adolescente de 16 anos na época, fiquei inculcado com a estória de Lucíolo, na hora da oração, todo mundo de olhos fechados, e minha mente viajando igual aquele desenho "O Mundo Maravilhoso de Bob", aí enquanto agente orava, vinha imagens na minha mente que o demônio tava descendo a serra pra invadir a igreja, e tava chegando perto, perto, perto... de repente na minha imaginação o demônio deu um chute na porta e abriu e vinha na minha direção, aí eu fiquei pensando " o diabo vai tocar em mim, o diabo vai tocar em mim", aí alguem tocou no meu ombro, aí eu gritei: "Sai Satanás, volte pro inferno de onde você veio", e todo mundo, inclusive o que tinha tocado no meu ombro clamava a Deus pra expulsar o demônio, depois que agente se acalmou, Nicanor me perguntou: "O que o demônio fez com você Edinho ?", eu disse: "o demônio tocou no meu ombro", Nicanor disse: " e é doido rapaz !! fui eu quem tocou no seu ombro pra perguntar se amanhã de manhã você vai bater o baba lá no BNB", kkkkkkkkkkk

Um comentário:

  1. Alguns nomes acima são fictícios, mas todas as histórias são reais, a mudança dos nomes é para evitar processos judiciais.

    Edson

    ResponderExcluir